13/02/2012
Jogo para celulares criado por empresa italiana mostra as condições desumanas em que os celulares são produzidos. O dinheiro das vendas vai para uma organização de defesa dos direitos trabalhistas sediada em Hong Kong.
Em uma mina de algum lugar no Congo, crianças seminuas se agacham para extrair da terra, com ferramentas simples, o minério coltan. Se uma criança faz uma pequena pausa, logo chegam, gritando, dois guardas, armados com metralhadoras.
Afinal de contas, o trabalho tem que ser feito rapidamente, pois os fabricantes de celulares necessitam urgentemente do coltan para produzir seus aparelhos. A mina reproduzida no estilo de caricatura é o primeiro nível do jogo para celulares Phone Story. O jogador assume o papel de guarda. Quem conseguir gritar com as crianças trabalhadoras o suficiente prossegue para o próximo nível.
A história de um smartphone
Phone Story mostra de uma forma drástica as condições desumanas de produção dos telefones móveis modernos. O jogador deve maltratar crianças trabalhadoras africanas ou segurar trabalhadores que pulam dos telhados da fábrica em desespero, devido às más condições de trabalho.
Linha de montagem da Foxconn: condições desumanas de trabalho
Durante o jogo, uma voz de computador explica as condições de produção dos celulares. "Como a maioria dos dispositivos eletrônicos, este celular também foi montado na China, numa fábrica tão grande quanto uma cidade. As pessoas que trabalham nela são frequentemente vítimas de abusos e discriminação. Elas trabalham sob condições desumanas e têm que cumprir horas extras ilegais. Dentro de poucos meses, mais de 20 trabalhadores cometeram suicídio por puro desespero."
A série de suicídios ocorreu em 2010 nas instalações do fabricante de eletrônicos taiwanês Foxconn. A empresa monta, entre outros, o iPhone e o iPad para a Apple.
Deletado da App Store da Apple
A empresa italiana de software Molleindustria foi que trouxe o Phone Story ao mercado em setembro do ano passado. No lançamento, os produtores apelidaram o joguinho como um "anti-iPhone para o iPhone". Os programadores trabalharam em base voluntária, e a receita proveniente da venda na App Store da Apple seriam doadas à Sacom, organização pelos direitos trabalhistas sediada em Hong Kong, e cuja sigla quer dizer "Estudantes Contra o Mau Comportamento Empresarial".
Mas a Apple, fabricante do iPhone, não gostou da brincadeira. Poucas horas após o lançamento, a empresa deletou o jogo na App Store, alegando que Phone Story mostra conteúdo cruel, o abuso de crianças, e argumentando que um aplicativo que coleta doações deve ser gratuito.
Mina no Congo: africanos arriscam a vida na extração de minérios
Paolo Pedercini, da Molleindustria, considera essa justificativa como uma desculpa. "O jogo contém humor negro e violência, mas sob uma forma estilizada de HQ", explicou Pedercini, em entrevista por e-mail à Deutsche Welle. "O jogo é mais suave do que muitos outros jogos na App Store. O que torna as imagens tão perturbadoras é a conexão que o jogador faz com a situação no mundo real."
Renda dedicada a sobreviventes de suicídio
No curto espaço de tempo em que Phone Story esteve disponível na App Store, ele foi baixado mais de 900 vezes. Desde o bloqueio pela Apple, o jogo só pode ser encontrado no Android Market, do Google. De acordo com Molleindustria, ele já foi baixado cerca de 4.600 vezes. Cerca de 6 mil dólares foram arrecadados desde setembro de 2011, a serem encaminhados à Sacom.
"Phone Story é um um projeto impressionante", diz Debby Chan, da Sacom. "Não é apenas um jogo de computador, é um programa educacional, uma campanha de sensibilização para os consumidores quando compram um smartphone." Chan afirma que o doador quer que a Sacom encaminhe o dinheiro aos sobreviventes das tentativas de suicídio da Foxconn. "E isso é o que vamos fazer."
Phone Story não é o único jogo da Molleindustria. Os programadores já criaram uma série de chamados "jogos radicais", que têm em comum lidarem sempre com um problema político ou social. Em um deles, o jogador tem de gerir redes de fast food, em outros, liderar empresas petrolíferas ou encobrir abusos sexuais na Igreja Católica.
Você aí do Greenpeace, ou de alguma ONG que é a favor da igualdade entre os povos, ou de qualquer outra entidade não governamental politicamente correta...Qual é o seu telefone?
PS: E aqui vai um videozinho sobre o nosso "amado" Steve Jobs - um visionário! (tão amado quanto tantos outros donos de gigantes multinacionais)
Abra seus olhos! O mundo não quer nada de você além do seu suor e dinheiro, e pouco se importa com os seus descendentes
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